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A Oi/Telemar surge no meio da crise do mercado financeiro
americano como uma das maiores prejudicadas no setor de
telecomunicações. A companhia está em vias de captar recursos elevados
para concluir a compra da Brasil Telecom.
Se a negociação de compra de controle for adiante – e ela é muito
importante para o negócio -, seus executivos certamente vão se
arrepender muito de não terem captado os recursos de forma integral com
antecedência, livrando-se dos efeitos que se seguirão às próximas
medidas do governo dos Estados Unidos.
Se não houver compra, perderão muito dinheiro da mesma forma, pois
terão de pagar multa à Brasil Telecom no valor de quase R$ 500 milhões.
A negociação entre Oi e Brasil Telecom conta com o apoio do
governo, embora esteja em desacordo com a regulamentação do setor, mas
depende de mudança no Plano Geral de Outorgas (PGO), a partir do aval
da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e de um decreto do
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
“Se esse sinal verde oficial acontecesse amanhã, certamente a Oi
não conseguiria captar o dinheiro que falta”, arrisca fonte ouvida pela
Gazeta Mercantil referindo-se ao momento de crise internacional e
escassez na oferta de crédito.
Daqui pra frente, é melhor que a negociação ocorra, pois muito
dinheiro já foi gasto com ela. Além disso, é provável que a própria
Brasil Telecom, objeto da compra, adie o prazo para facilitar a
captação de recursos pela Oi, acrescenta a fonte que pediu para não ser
identificada.
O momento é de muita especulação, mas não sofremos nenhuma medida
restritiva ou de suspensão de encomendas, afirmou o vice-presidente da
Nokia Siemens, Aluisio Byrro.
Fornecedor de várias operadoras telefônicas, inclusive a Oi, à
qual instala rede de telefonia celular de segunda e terceira gerações,
a Nokia Siemens nada sofreu de reflexo da não-aprovação do pacote
salvacionista americano pela Câmara, anteontem.
Além de fornecer redes, a Nokia Siemens tem desenvolvido software
para a matriz e para coligadas. “Nesse momento, por exemplo, estamos
fornecendo para a Angola Telecom, que tem crédito brasileiro com
garantia do governo angolano, vinculado ao fornecimento de petróleo.
“Ninguém nos comunicou nada até o momento. E como nossas
exportações têm sido pequenas, não sentimos nenhum reflexo negativo”,
alegou Byrro.
Ao contrário, o êxito do NetFone da Net acaba refletindo
favoravelmente nas encomendas de plataforma da Embratel, disse o
executivo. Temos confirmados os pedidos de ampliação da rede, assim
como os das empresas que aumentam a infra-estrutura de banda larga. A
dúvida da indústria é sobre o ano que vem, disse Byrro. “Este ano foi
muito bom. Terá sido um vôo de galinha ou 2009 vai ser tão bom quanto
este?”, perguntou Byrro.
ABES
Renato de Oliveira Moraes
Déborah Oliveira
Redação